Setor de seminovos discute ideias para enfrentar a crise

O governo, infelizmente, não dá ouvidos à nossa categoria.” O desabafo é de Ilídio Gonçalves dos Santos, presidente da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), sobre o esforço que a categoria vem fazendo para tentar reverter o cenário desfavorável de vendas de veículos seminovos e usados no Brasil. “Procuramos os ministérios da Fazenda e do Trabalho para lançar luz à nossa causa, mas eles só têm olhos para as montadoras, concessionárias, indústria de autopeças etc.”

Enquanto a indústria automobilística manteve o fôlego para a comercialização de modelos 0 km após a prorrogação do IPI reduzido até o final do ano, o mercado de seminovos e usados vive um momento mais tenso. Segundo o presidente da Fenauto, atualmente a relação é de dois seminovos e usados vendidos para cada modelo novo. Antes dos incentivos do governo, porém, essa relação chegou a ser quatro por um.

Diante dessa situação, o setor não ficou de braços cruzados. Entre 12 e 14 de setembro, a Fenauto realizou o 1º Congresso Nacional de Seminovos e Usados, em Foz do Iguaçu (PR). “Nossa entidade foi fundada em 1999 e, desde então, tínhamos a intenção de realizar esse evento. Agora conseguimos, graças aos patrocínios”, explica Ilídio.

Com a participação de mais de 250 pessoas (entre lojistas, especialistas e convidados), o congresso da Fenauto discutiu vários temas referentes à gestão, a vendas e ao mercado. Serviu, principalmente, como um canal de aglutinação para os integrantes da categoria. O lojista mineiro Demetrius Miranda, proprietário da Demetrius Automóveis, destacou que o evento superou suas expectativas. “Todos os temas foram muito pertinentes e o evento é de suma importância para ganharmos mais força. Afinal, fazemos parte de um setor que todos os anos movimenta cifras milionárias”, salienta.

O presidente da Fenauto revela que no ano passado foram comercializados 9,5 milhões de veículos e que 70% das vendas foram fechadas por meio de financiamentos em bancos. “Olha só o dinheiro que movimentamos e, mesmo assim, o governo não considera. De janeiro para cá vivemos uma situação difícil. Foram fechadas cerca de 4.500 lojas. Isso representa 20.000 empregos diretos perdidos”, lamenta.

A lojista Ivanete Ferreira da Silva, dona da Netcar Veículos, no Pará, analisa os tempos bicudos da categoria: “Enfrentamos quedas nas vendas e paralisação de estoque, os lucros já não são como antes e tivemos de reajustar nosso quadro de funcionários”. Ela destaca ainda que o congresso é importante para reverter essa situação. A saída é reverter o setor, uma vez que o caminho com o governo está difícil. “Precisávamos de uma injeção de ânimo e o evento valorizou a nossa classe. Precisamos nos unir e levar a situação a sério para ter mais voz ativa. Isolados não vamos conseguir nada”, apregoa.

Ilídio diz que os preparativos para a edição de 2013 começarão em breve. A intenção é que o setor continue trabalhando duro: “Temos de mostrar para o consumidor que o seminovo é mais negócio. O carro já tem a desvalorização estável e ele pode conseguir um modelo mais equipado, potente e confortável pelo preço de um 0 km básico.”

  • Fonte: Carro Online /
  • Autor: Daniel Fideli /
  • Data: 10 outubro 2012
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