RALLIART BRASIL

Se alguma vez na vida você já visitou oficinas de preparação de veículos de competição, são grandes as chances de ter se deparado com um lugar acanhado, sem muita iluminação, bagunçado ou até mesmo sujo. Felizmente este não é o caso da sede da Ralliart Brasil. A divisão de competição da Mitsubishi Motors conta com uma estrutura grandiosa e desde 2014 faz um trabalho irrepreensível tanto nas corridas de pista quanto nas provas de rali.



Sediada nos arredores de Mogi-Guaçu, cidade no interior paulista que também abriga o Autódromo Velo-Città (construído pela própria Mitsubishi Motors), a Ralliart Brasil é o paraíso dos fãs de corrida. Distribuídos em uma área de mais de 10 mil metros quadrados estão 70 funcionários treinados para construir, preparar e manter todos os carros de corrida da Mitsubishi no Brasil. No galpão ficam várias estações voltadas para análise, manutenção e reparo de componentes como suspensão, transmissão e motor. Isso sem contar o depósito de peças de reposição com mais de 30 mil itens em estoque. Há até uma área de engenharia com acesso restrito dentro da própria Ralliart, na qual as peças experimentais podem ser projetadas e construídas. Uma vez aprovado, o projeto eventualmente é enviado para a fábrica da MMC em Catalão (GO), onde elas são produzidas em série.



Qualquer pessoa habilitada e com carteira de piloto de rali pode sair de lá com um dos modelos oferecidos pela Ralliart. São eles: ASX (R e Racing), L200 Triton (ER, ERS, RS e SR), Lancer (R e RS) e TR4 (ER). Os veículos são locados no esquema "sit and drive" (ou seja, basta sentar e dirigir) e geralmente começam a ser preparados à medida que os clientes assinam contrato, embora a Ralliart tenha algumas poucas unidades a pronta-entrega. O pacote anual inclui praticamente todas as despesas que o piloto terá durante as corridas, incluindo reparação e manutenção do veículo, seguro (com funcionamento idêntico a de um automóvel de passeio), combustível, logística e pacote de peças de desgaste. Dependendo do veículo escolhido há ainda a possibilidade de realizar treinos. A Ralliart ainda oferece o registro das provas em DVD com câmera onboard em cada etapa, dados de telemetria e coaching com pilotos profissionais da Mitsubishi, como Guilherme Spinelli (pentacampeão do Rally dos Sertões) e Ingo Hoffmann (12 vezes campeão da Stock Car).



Embora os carros preparados pela Ralliart cumpram todas as exigências da FIA e da CBA para disputar qualquer competição, a maioria dos veículos participa dos dois grandes campeonatos organizados pela Mitsubishi. A Mitsubishi Cup é um campeonato de rali cross-country formado por sete etapas nacionais, nas quais podem participar os modelos ASX R, L200 ER, L200 RS e Pajero TR4 ER. Já a Lancer Cup destina-se aos gentlemen drivers, ou seja, pilotos que possuem carteira de corrida, mas não vivem da atividade o tempo todo. São dois os veículos homologados para participar da categoria monomarca, ambos baseados no Lancer Evolution X: o Lancer R, equipado com câmbio manual de cinco marchas, tração integral e motor 2.0 turbo com 310 cv; e o Lancer RS (acima), uma evolução do modelo "R" com transmissão sequencial e 340 cv.



Além destas categorias, a Ralliart Brasil também atua de forma significativa em dois dos maiores ralis do mundo: Rally dos Sertões e Rally Dakar. Nos Sertões os compradores podem escolher entre a L200 ERS (feita para provas de longa duração e movida a etanol) e a L200 SR (protótipo baseado na L200 RS que venceu todas as categorias das duas últimas edições dos Sertões que disputou). No caso do Dakar, a preparadora oferece o ASX Racing (acima), projetado e concebido pela divisão brasileira para disputar grandes provas de rali pelo mundo. Construído com estrutura tubular de aço cromo molibdênio e fibra de carbono com kevlar, o veículo levou a equipe Petrobras ao oitavo lugar na classificação geral da última edição do Dakar.

Os custos para participar de um dos campeonatos organizados pela Mitsubishi evidentemente não é baixo: cada piloto chega a desembolsar mais de R$ 30 mil por etapa da Lancer Cup. Mas diante desta infra-estrutura de primeiro mundo, na qual tudo que você precisa fazer é ir até o autódromo e correr, esta brincadeira nem parece tão cara assim.

  • Fonte: QUATRO RODAS /
  • Autor: VITOR MATSUBARA /
  • Data: 30 julho 2015
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