Montadoras amam o Brasil – brasileiros se assustam com preços

As montadoras amam o Brasil, segundo a revista Forbes. Na verdade elas amam é o dinheiro a mais que o brasileiro paga pelos seus carros. Além disso, os brasileiros se assustam quando percebem a diferença de preços aqui e lá fora.

Citando os mercados dos EUA, China e Europa, a publicação americana fala que o Brasil vai experimentar um crescimento de 68% até 2016, passando de 3,4 para 5,7 milhões de unidades.

Além disso, as montadoras estão de olho também no aumento do poder de compra do brasileiro, que já superou US$ 10.000 per capita. Tal índice só foi atingido pelos grandes mercados mundiais em momentos de crescimento.

Desde 2003, 40 milhões de pessoas passaram para a classe média no Brasil e isso faz com que o mercado automotivo acompanhe essa evolução econômica. No entanto, a alta carga tributária faz com que os preços dos carros sejam elevados aqui, praticamente o dobro de outros países.

Mas não é só o governo que explora o consumidor com todo tipo possível (e impossível) de carga fiscal. As montadoras também elevam seus preços no país, em parte, por causa da fraca logística nacional, a mão de obra cara, treinamento profissional deficiente, custos de energia e aço elevados, pouca automação, entre outros.

Enfim, vários empecilhos que tornam a produção nacional pouco competitiva em relação aos concorrentes mundiais, como o México, por exemplo. Embora os salários tenham aumentado 125% em dez anos, segundo a Forbes, a produtividade subiu apenas 22%.

No entanto, as montadoras aproveitam que os custos são historicamente elevados, e em cadeia, elevam suas margens a fim de também sustentar a ineficiência em seus principais mercados ou compensar os prejuízos lá fora por causa da crise.

Pois é, o brasileiro é quem banca a diferença no desconto de preços para os consumidores europeus, americanos, etc. Além disso, os carros mais modernos e seguros são oferecidos a eles, e em troca nós recebemos plataformas de baixa qualidade e segurança. Mais baratas de fazer, essas bases mais simples geram um bom lucro.

Em 2003, o mercado estava na mão de quatro fabricantes, que juntos somavam 84%. Esse percentual deverá cair para 70% até 2015, de acordo com a Forbes. Ainda bem que eles não citaram o mercado de motos, não é mesmo?

A maior concorrência dos fabricantes que chegaram na década de 90 deverá contribuir para uma redução nos preços dos carros. O processo é muito lento, apesar de que já estamos vendo alguns resultados positivos no mercado. Ainda assim, pagamos US$ 29.000 por um Corolla, que nos EUA custa apenas US$ 16.230.

Enfim, esse é o Brasil visto por quem não vive nossa realidade. Não pagam impostos onerosos e em cascata, compram carros mais seguros por um preço muito mais justo e não ficam à mercê de mudanças econômicas em ano eleitoral.

  • Fonte: Notícias Automotivas /
  • Autor: Forbes /
  • Data: 16 outubro 2012
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