MINI JOHN COOPER WORKS: O BRAÇO É O LIMITE

A revista Car And Driver testou o novo Mini John Cooper Works, o mini de produção mais potente já produzido e contou como foi a experiência:

"Levamos o Mini até a Rodovia Oswaldo Cruz em São Paulo, no trecho entre Taubaté e Ubatuba, um pedaço da estrada conhecido pelos cotovelos, curvas desafiadoras, barrancos não menos instigantes e bom asfalto.

Mas antes de chegar nas curvas já deu para experimentar o desempenho do JCW na reta da rodovia Presidente Dutra, ligação São Paulo-Rio. E nossos números de testes aferidos na pista ratificam as sensações – que ficam ainda melhores quando se aciona o modo Green de condução: com ele, dá para rodar 13 km/l na estrada e poupar gasolina para a melhor parte.

É quando chegamos às curvas que o Mini mostra seu valor. Hora de testar os limites dele e os meus. O motor 2.0 turbo tem 231 cv, 10% a mais em relação ao seu antecessor, que usava bloco 1.6. Não é muito, mas a diferença está no torque. Com 32,6 mkgf, ele é 23% maior se comparado ao JCW anterior. As retomadas mostram que este realmente é o Mini mais rápido que saiu da linha de montagem no Reino Unido. Não é difícil superar este limite: é pé direito cravado até o fim e admirar a paisagem virando um borrão.

Os ouvidos não foram esquecidos pela BMW, dona da marca inglesa. Com o modo Sport ligado, além das trocas de marcha em alta rpm, o Mini habilita aberturas no escape para deixar o quatro cilindros cantar. Tiro o pé após esticar uma marcha e ouço os estampidos do escape ecoarem pelos desfiladeiros. A tentação de fazer isso a todo o momento é grande – e dificilmente alguém que esteja ao volante vai perder essa chance. O modo Sport também distrai as babás eletrônicas. Controles de tração e de estabilidade são parcialmente desativados, mas permanecem alertas. É hora de tatear a fronteira entre a diversão e o “carai, fiz cagada”!

O câmbio automático de seis marchas não tem o imediatismo das caixas de dupla embreagem, mas consegue fazer boas reduções e segurar o hatch antes das curvas. Basta usar as aletas atrás do volante para escolher – e aqui cabe um protesto: no Brasil não será mais vendida a versão com câmbio manual.

O orvalho da Mata Atlântica deixa o asfalto úmido, um piso que adora dar rasteira nos motoristas desatentos. O Mini monta nos freios de quatro pistões, feitos pela Brembo especialmente para o carro, e equilibram os mais de 1.200 kg do inglês. Acho que, nessas condições, forçar mais acarretaria o uso do ABS. Melhor não. A frente se apoia para fazer a curva rápida para a esquerda. Uma tendência de sair de frente é até bem-vinda quando estamos a... bem, esqueça a velocidade. A carroceria se equilibra, o próprio JCW gerencia suas proporções para manter-se deste lado do guardrail. Parece que há uma limitação eletrônica antes do limite físico do esportivo.

Na saída de curva decido testar o quanto de força o carro consegue despejar no chão. Existem diferencial eletrônico e distribuição vetorial de torque. Traduzindo, tecnologias que administram a potência entre as rodas dianteiras para não desperdiçar nenhum cavalo. Pé direito cravado e o Mini tende a puxar a frente para o lado de fora da curva, mas, em seguida, alguns megabytes de programação fazem o computador puxar o hatch para o traçado ideal.

Nas curvas fechadas ele usa até um pouco de frenagem na roda interna da manobra. Tudo para que o carro gire mais rápido sobre o próprio eixo. Mérito ainda da suspensão com alumínio e aço de alta resistência. Os conjuntos são firmes, porém mais suaves que os da geração anterior. Curva após curva, o JCW me mostra que o limite dele está mais longe do que o meu. Posso me divertir sabendo que estou usando tudo o que está disponível em potência, manobras e freios.

Uma neblina espessa chega para dificultar o que já era um frio na barriga. Posso me beneficiar de outra sacada do JCW, que pega informações do GPS para escolher a melhor marcha. Se uma curva fechada está vindo, mesmo na cegueira da neblina, o Mini já sabe qual marcha reduzir. Assim posso relaxar e curtir o interior mais requintado do novo esportivo.

No fim do dia, com o Mini, a estrada e eu inteiros, dá para dizer que novo JCW é rápido. Melhor do que isso, a velocidade dele está ao alcance de mais pessoas. Você não precisa ter nervos de aço para domá-lo no limite. Talvez para alguns, e eu me incluo nessa turma, controlar um carro com tanta eletrônica não tenha tanta graça. Eu aceitaria um Mini John Cooper Works menos robotizado, que tivesse a atitude crua e implacável de antes. É legal almejar limites que, quando alcançados, dão o prazer da conquista. Uma fronteira difícil de chegar e que merece comemoração quando é ultrapassada.

Galeria de imagens

  • Fonte: CAR AND DRIVER /
  • Autor: REDAÇÃO /
  • Data: 26 novembro 2015
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