HONDA CIVIC SI

Montado sobre a mesma base do Civic da atual geração, porém com a pouco conhecida carroceria Coupé, o novo Si é capaz de provocar sensações logo à primeira olhada. Pintado com a cor Rallye Red e ostentando a vistosa inscrição i-VTEC DOHC na lateral (uma alusão ao motor com duplo comando de válvula variável), ele seduz com seu aerofólio traseiro, saída de escape mais larga e ronco do motor afinado para soar mais grave. O visual esportivo do exterior entra em sintonia com o interior: revestimento que imita fibra de carbono no painel, pedais vazados e pomo do câmbio esculpidos em alumínio, rodas de liga leve de 17 polegadas, volante revestido de couro e tons de vermelho no conta-giros e nos bancos, com as letras Si estampadas.

Mas todos esses detalhes soariam falsos se o prazer de dirigir o Si não tivesse evoluído. Tão em voga nos modelos atuais, faltou ao cupê de alma esportiva o recurso do botão de ignição. Deslize perdoado quando ao girar a chave no contato se ouvem os primeiros acordes da experiência sonora: o urro imponente do motor, agora com 201 cv, quase 10% de potência a mais do que os 192 cv do Si nacional.

Entre Los Angeles e Santa Barbara, os engates curtos do câmbio manual de seis marchas, qualidade já observada em seu antecessor, a suspensão mais rígida que nos outros Civic, a direção ainda mais direta (passou de 3,1 voltas para 2,9) e a posição de dirigir mais baixa que no sedã mostram o caráter do carro logo ao primeiro contato.

O motor, semelhante ao que equipa o CR-V, também evoluiu. Comparado com nosso antigo Civic Si, passou de 2 litros para 2,4, enquanto a potência subiu de 192 para 201 cv e o torque saltou de 19,2 mkgf a 6 100 rpm para 23,4 mkgf a 4 400 rpm. Assim, pelos números oficiais, ele agora acelera de 0 a 100 km/h em 6,1 segundos e atinge a máxima de 219 km/h. Ou seja, deixa comendo poeira até mesmo rivais respeitáveis como o Hyundai Veloster Turbo (201 cv), que faz o 0 a 100 em 7,2 segundos.

Quando acelerei por trechos mais sinuosos, dessa vez cortando as montanhas entre Santa Barbara e Palm Springs, além dos cavalos adicionais sob o capô, o que também empolgou foi o bom funcionamento da direção com assistência elétrica leve, precisa e rápida, que combinou harmonicamente com a suspensão firme e estável.

Com 4,47 metros de comprimento (ele é 5 cm menor que o Civic sedã vendido atualmente no Brasil), 1,75 metro de largura (igual), 1,40 de altura (5 cm mais baixo) e distância entre-eixos de 2,62 metros (5 cm mais curto), ele se mostra um carro fácil de manobrar, mas inferior em espaço traseiro. O bom senso recomenda levar um passageiro a menos no banco de trás, para que ele não fique espremido nos ombros e incomodado pelo elevado ressalto central do banco. Passageiros que tenham como eu 1,88 metro de altura precisarão de uma sessão de massagem ao fim de viagens mais longas, pois vão viajar com a cabeça curvada.

Mas nada disso tira o brilho desse esportivo que honra a tradição do nosso antigo Civic Si, que deixou uma legião de apaixonados que certamente vão esperar ansiosos para conhecer a nova geração.

  • Fonte: REVISTA QUATRO RODAS /
  • Autor: FERNANDO VALEIKA DE BARROS /
  • Data: 11 setembro 2013
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