ENTENDA A "SOPA DE LETRAS" DOS PNEUS E ACERTE NA HORA DA TROCA

Decifrar tais códigos pode ajudar na escolha, mas não é suficiente: o proprietário também precisa saber que tipo de pneu e roda são adequados à proposta de seu automóvel. E, pode acreditar, essa decisão fará diferença: o pneu é o único ponto de contato do veículo com o asfalto e usar o modelo errado pode comprometer rodagem, absorção dos impactos (conforto e segurança) e até consumo de combustível.
ESCOLHA CERTO
Os pneus têm basicamente a mesma estrutura: carcaça, talões (que o ancoram ao aro), cintas e overlay (reforço de banda), cintura (ou faixa lateral) e banda de rodagem. Um modelo se difere do outro basicamente pela carcaça (diagonal ou radial), largura, diâmetro interno, altura da faixa lateral e, claro, pelo desenho das ranhuras na banda de rodagem. Mas o que isso quer dizer?

Carcaças radiais são mais duráveis, aderentes e estáveis. Elas são formadas por lonas de aço com cabos dispostos em arcos perpendiculares (as diagonais possuem lonas de fibra têxtil cruzada, mais rígidas, com maior fricção e transmissão das irregularidades dos pisos à camada exterior). Com isso, também reduzem o consumo de combustível (menor atrito com o solo) e a possibilidade de cortes e furos.

Arcos mais largos e com cintura mais estreita absorvem menos as irregularidades do solo, comprometendo o conforto. Também prejudicam o consumo de combustível (por conta do maior arrasto), e os riscos de aquaplanagem em caso de chuva, já que dispersam a água com mais dificuldade. São recomendados apenas para veículos mais esportivos e potentes.
Já a situação oposta (compostos muito pequenos) compromete aderência e estabilidade em piso seco (o ponto de contato com o asfalto é menor) e também o desgaste (pneus estreitos podem ficar sobrecarregados pelo peso gerado com certo veículo).

A primeira dica para evitar erros é saber que tipo de pneu veio de fábrica com o carro -- provavelmente será o mais adequado. "Alguns projetistas de automóveis até iniciam o trabalho a partir do pneu", ressalta o presidente-executivo da Anip (Associação Nacional da Indústria Pneumática), Alberto Mayer.

APRENDA A LER SEU PNEU
UOL Carros preparou um pequeno manual para que você entenda melhor qual o tipo de pneu usado em seu carro. Para facilitar o entendimento, usaremos como exemplo um modelo da Pirelli cuja especificação é LT325/60R20 121S. Veja o que significa cada item:
+ LT - indica o tipo de veículo adequado àquele modelo.
LT, no caso, significa "Light Truck" (picape leve). Há ainda opções como P (passeio), ST (trailers ou reboque) e T (temporários ou estepes).

+ 325/60 - aponta o tamanho do pneu.
Assim, 325 é a largura da banda de rodagem, em milímetros; 60 corresponde à proporção da altura da secção do pneu em relação a essa largura (no exemplo, a altura corresponde a 60% da largura).

+ R - sinal de que o composto é radial.
Se ele for diagonal, nenhuma letra aparecerá nesse espaço.

+ 20 - diâmetro interno em polegadas.

+ 121 - índice de carga do pneu.
Mostra quantos quilos ele consegue suportar (neste caso, 1.450 kg). Lembrando que este é o índice de cada unidade do jogo.

+ S - refere-se ao índice de velocidade.
Indica o máixmo, em km/h, suportado pelo composto. A letra "S" equivale a 180 km/h.

Para ver a tabela completa de índices de carga e velocidade, clique aqui.

NASCIMENTO DO PNEU
Outro jogo de números que pode aparecer em seu pneu é o Código DOT (sigla em inglês para "Departamento de Transportes" dos Estados Unidos), que indica a semana e o ano de sua fabricação. Exemplo: se o código for 3514, significará que a produção ocorreu na 35ª semana de 2014.

DATA DE VALIDADE
É difícil precisar a vida útil de um pneu, pois muitas variáveis podem alterá-la, como o tipo de veículo e, principalmente, como o motorista dirige. Entretanto, é possível prolongar a "validade" do pneu seguindo alguns passos:

+ CALIBRAGEM: ajuste a pressão do pneu regularmente. Qualquer posto de combustíveis possui o equipamento para isso. Só é preciso ficar atento aos índices corretos: eles estão indicados no manual e em adesivos na área das portas dianteiras.
Pneu muito vazio superaquece a borracha, reduz a durabilidade e aumenta o consumo de combustível. Pneu cheio demais provoca desgaste acentuado e deixa o composto mais suscetível a cortes e furos.

+ ALINHAMENTO E BALANCEAMENTO: garantem redução das trepidações e fazem o pneu rodar em linha reta, proporcionando desgaste mais suave e uniforme.

Alguns fabricantes recomendam os procedimentos a cada 5.000 km. O Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) prega a cada 10.000 km.

+ CONDUÇÃO SEGURA: andar a velocidades muito altas, frear e arrancar bruscamente, fazer curvas de forma agressiva e abusar de subidas e raspadas no meio-fio encurtam a vida útil do pneu.

+ RODÍZIO: a troca de posição dos pneus permite um desgaste equilibrado entre as quatro unidades de um jogo (ou cinco, se o estepe também fizer parte). Deve ser feito a cada 5.000 km rodados.

+ HORA DA TROCA: todo pneu possui, na base dos sulcos, marcas em relevo que indicam o nível de desgaste. Fique de olho. Se elas forem alcançadas, significa que o pneu ficou "careca" -- atingiu o nível máximo de desgaste (1,6 mm de profundidade dos sulcos) e precisa ser trocado imediatamente, conforme determina o CTB (Código de Trânsito Brasileiro).

  • Fonte: UOL CARROS /
  • Autor: REDAÇÃO /
  • Data: 24 novembro 2015
COMPARTILHE
NAS REDES SOCIAIS

MAIS NOTÍCIAS