Carismático, J2 é porta de entrada da JAC

A lista de equipamentos de série é farta: direção elétrica, ar-condicionado, vidro elétrico nas quatro portas, freios ABS, airbag duplo frontal, rádio com conectividade USB, ajuste elétrico dos espelhos, entre outros. Além do pacote de itens de fábrica, a marca apostou no motor 1.4 do J3 para equipar o J2, mas sua cilindrada real é de 1.332 cc, o que o configura como 1.3 na realidade.O propulsor a gasolina, emprestado do modelo maior, gera 108 cv de potência, o que faz com que o pequeno carro acelere de 0 a 100 km/h em 9,8 segundos e atinja máxima de 187 km/h, o que é possível graças ao câmbio manual de cinco velocidades, com as duas primeiras marchas curtas e as demais alongadas.

Segundo a JAC, cerca de 230 modificações foram realizadas no carro chinês para rodar no mercado brasileiro, como por exemplo, o painel modificado, assim como a calibragem da direção elétrica e o isolamento acústico. A frente do J2 também é exclusiva do Brasil, uma vez que o motor 1.4 exigiu uma maior área de captação de de ar para a refrigeração.

Motor grande, carro pequeno: combinação divertida

Com uma frente que parece estar sorrindo, o pequeno J2 cativa pelo desenho. Mesmo as grandes lanternas traseiras caíram bem ao carro. O modelo teria tudo para se dar bem em ambiente urbano: a direção é leve e a pequena distância entre-eixos facilita manobras. Olhando-o por fora, não se tem a impressão de que o J2 faça mais que isso. Virando a chave, no entanto, o jogo muda.

O modelo é arisco nas acelerações, o que é auxiliado pelo torque de 14,1 kgfm e pelo peso de 915 kg. O bloco 1.4 ronca forte quando o acelerador é exigido e, com pouca massa para levar, o J2 muda de direção rapidamente. É uma receita simples de diversão, algo próximo ao que o Ford Ka Sport 1.6 faz. A 120 km/h, o JAC marca pouco mais de 3.000 rpm, o que demostra que o carro tem fôlego para mais. O sistema de suspensão, também recalibrado para o Brasil, conta com braçoes independentes na traseira e conjuntos tipo McPherson na dianteira, o que faz com que o modelo faça curvas sem rolar muito. O J2 sofre apenas em superfícies irregulares, onde a pequena distância entre-eixos faz com o carro pule muito. O volante, por sua vez, sente falta de um aro com pegada mais firme.

O interior oferece espaço para os ocupantes à frente, mas é justo para dois adultos atrás, apesar de ser homologado para levar três passageiros no banco traseiro. O acabamento interno é bom, com bancos confortáveis. Na cabine, alguns detalhes poderiam ser repensados: a trava das portas não tem acionamento central, a falta de tampa no porta-luvas, as saídas de ar laterais provocam ruído e não fecham bem o fluxo de ar. Além disso, o limpador do para-brisas é de braço único, além de não haver a peça no vidro traseiro nem como opcional. O porta-malas leva apenas 121 litros e ainda tem o acesso dificultado pelo formato das lanternas. O que sobra ao J2 é um público que procura visual diferenciado e um pouco de diversão ao volante sem grandes compromissos com o valor do carro.

Fábrica no Brasil - o lançamento do J2 foi um dos eventos que marcou a inauguração da pedra fundamental da fábrica da JAC Motors em Camaçari (BA). Além disso, a marca enterrou uma unidade do J3 no terreno da planta com mensagens escritas pelo público da edição 2012 do Salão do Automóvel de São Paulo. O carro só sairá de lá em 2032. "Dúvido que que ele precise mais que uma carga na bateria e gasolina para ligar" disse animado Sergio Habib, presidente da JAC Motors Brasil. Ele só se esqueceu que foi nescessário retirar o motor do carro e todos os fluidos para que não fosse causado um dano ambiental. O J3, que virou uma cápsula do tempo, vai precisar de um pouco mais que isso para, literalmente, sair do buraco.

O anúncio de uma unidade produtiva no Brasil não é novo. Foi feito em 2011, mas só agora, com a definição do novo regime automotivo brasileiro, que a marca confirmou o investimento de US$ 600 milhões na planta baiana que será inaugurada em 2014. Além de empregar 3.500 funcionários diretos, a fábrica terá capacidade de produzir 100 mil unidades por ano e contará com centros de pesquisa e desenvolvimento, controle de emissões e design. An Jin, presidente da matriz chinesa da JAC, que foi fundada em 1964, ficou feliz com a primeira unidade de produção fora da China e declarou: "A partir de hoje, Camaçari será a segunda casa da JAC".

  • Fonte: ICARROS /
  • Autor: Thiago Moreno, de Camaçar /
  • Data: 27 novembro 2012
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