Após 1º recuo na produção de veículos em 10 anos, indústria espera 2013 quente

"A produção de veículos só não chegou aos 2% de alta por causa das exportações que não conseguimos realizar, seja pela falta de competitividade do país, seja pela existência de uma capacidade ociosa de produção mundial de 29 milhões de veículos", disse o presidente da Anfavea e da Fiat, Cledorvino Belini, nesta sexta.

Para o próximo ano, a entidade prevê alta de 4,5%, apoiada em um cenário de maior crescimento econômico e de proteção do mercado interno por conta da entrada em vigor do novo regime automotivo Inovar-Auto e das cotas de comércio com o México. "Entendemos que seja possível o crescimento de 4,5% porque isso está muito alinhado com as expectativas para o PIB. O desemprego está baixo, há aumento da renda real no Brasil, os juros estão baixos e há sinalizações de que pode cair mais", disse Belini.

A Anfavea estima crescimento das vendas no mercado interno de 3,5 a 4,5% em 2013, para entre 3,94 milhões e 3,98 milhões de veículos. Se confirmado, será o sétimo recorde consecutivo de vendas do setor.

A previsão da Anfavea é mais otimista que a divulgada nesta semana pela quarta maior montadora do país, a Ford, que estimou que as vendas de veículos novos no Brasil crescerão entre 2 e 4% no próximo ano.MUDANÇA DE QUADRO
Na avaliação de Belini, o quadro para o início do próximo ano é diferente de 2012, com estoques controlados de veículos, aceleração do crescimento econômico, juros menores e inadimplência seguindo tendência de queda, depois que os bancos passaram a controlar mais os financiamentos nos últimos dois anos.

Segundo o presidente da Anfavea, o nível de aprovação de pedidos de financiamento no setor, que é movido a crédito, está atualmente em 60%, ante 25% em maio, mês em que o governo reduziu o IPI dos automóveis e liberou recursos de depósitos compulsórios dos bancos para incentivar os empréstimos para aquisição de veículos.

Já para caminhões, segmento profundamente afetado pela lentidão da economia e que de janeiro a novembro acumula queda anual de 20% nas vendas e de 39% na produção, Belini afirmou que a Anfavea espera crescimento de cerca de 7,5% nos licenciamentos e índice semelhante para a produção.

A expectativa foi reforçada nesta semana pela decisão do governo de prorrogar por um ano o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para aquisição de caminhões e bens de capital. Belini, contudo, disse estar "cético" sobre a possibilidade do governo de prorrogar o desconto do IPI para automóveis, que expira no fim deste mês.

NOVEMBRO E DEZEMBRO
Apesar das vendas de novembro terem mostrado uma retração de 9% sobre outubro e de 3% sobre o mesmo período de 2011, a média diária, que considera apenas dias úteis, ficou praticamente estável na comparação mensal, a 14.854 unidades.

Belini afirmou que o desempenho de novembro ficou dentro do esperado e que a média de vendas diárias no início de dezembro sinaliza que o último mês de 2012 vai ser muito melhor. "O mercado vai crescer bastante", disse ele.

A Anfavea espera crescimento das vendas no Brasil em 2012 de 4,9%, para 3,81 milhões de veículos. Com isso, para cumprir a previsão, os licenciamentos deste mês deverão somar 367 mil unidades, a segunda maior marca do ano após o recorde histórico para um único mês estabelecido em agosto com a venda de 420 mil veículos.

Segundo a entidade, a indústria terminou novembro com estoques de 344.608 veículos novos distribuídos entre pátios de montadoras e concessionárias, volume equivalente a 33 dias de vendas ante 28 dias em outubro.

  • Fonte: Uol Carros /
  • Autor: Uol Carros /
  • Data: 10 dezembro 2012
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